O esporte pode sim formar a juventude por meio de valores supremos: resposta ao blog Pragmatismo Político

É uma grande alegria ver que meu livro Educação física e regime militar: uma guerra contra o marxismo cultural, apareceu ao lado de nomes tão importantes para a cultura brasileira. Estou a falar de nosso ministro das Relações Exteriores, o Sr. Ernesto Araujo, Dr. Ricardo Vélez-Rodriguez, nosso ministro da Educação e o filósofo e professor, Olavo de Carvalho.

Responderei aqui, apenas no que diz respeito ao meu livro, que na matéria do blog esquerdista Pragmatismo Político consta o seguinte comentário a respeito da apresentação que o Dr. Ricardo-Vélez Rodriguez fez para o livro: Resenhou o livro Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural, picaretagem que alega, entre outras coisas, que “o esporte-educacional, como aquele observado nos anos de 1964 a 1985, aparece claramente com o notável intuito de formar a juventude brasileira por meio de valores supremos”.[1], e também em relação ao conceito de marxismo cultural que igualmente aparece no livro como tema central.

O livro é entendido como uma “picaretagem” porque assegura o evidente: que a educação física durante o regime militar formava os jovens por meio de valores supremos. Observo, no entanto, que não há uma só linha de refutação desta ideia ao longo da matéria. No blog, também se encontra a ideia de que o marxismo cultural é uma calúnia grosseira.

Vamos, deste modo, ao primeiro ponto. Explico no livro que as virtudes desejadas no esporte são essenciais para a formação dos valores supremos e me baseio no conceito de fair play para ilustrar tal pensamento: “O fair-play é uma “forma de ser” baseada no respeito a si próprio e que implica em: honestidade, lealdade e atitude firme e digna diante de um comportamento desleal; respeito ao companheiro; respeito ao adversário, vitorioso ou vencido, com a consciência de que é o companheiro indispensável, ao qual se une pela camaradagem desportiva; respeito ao árbitro e respeito positivo, traduzido por um constante esforço de colaboração com o mesmo.” (Manifesto sobre o Fair-Play, 1977, p. 4). Tais valores, expressos no conceito de fair play, são dignos da própria defesa cristã de valores ocidentais, são base também para o indivíduo que busca virtuosamente a iluminação.

É importante dizer, conforme Redden e Ryan (1964), que o homem é um ser ético feito à imagem e semelhança de Deus, corpo e alma formam uma única substância compendiada por nosso “eu”. Sob o ponto de vista cristão, o homem é fruto da Criação de Deus, mas também fruto do pecado original; sendo assim, o homem é corruptível. Nessa perspectiva, cabe ao homem buscar as verdades fundamentais via modelamento da personalidade com base nos ensinamentos revelados. O objetivo da vida é, por conseguinte, o da salvação da alma. Para tal intento, é preciso desenvolver no indivíduo valores superiores, incluídos aqueles que se configuram na esfera física e moral.

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Sobre o que nos parece óbvio, no entanto, para algumas pessoas é necessária uma explicação mais detalhada. Assim, utilizo o referencial de Alexandre Borges de Magalhães, no livro Esporte e compromisso cristão de 2013. O autor menciona o Papa Pio XII, que considera o esporte uma atividade humana que aproxima o homem de Deus. Desse modo, nada como os valores supremos do esporte para nos aproximar do ser divino, explica a santidade.

O apóstolo Paulo é muito claro quando compara o trabalho realizado pelos cristãos com o trabalho competitivo realizado pelos atletas: Não sabeis que no estádio todos os atletas correm, mas só um ganha o prêmio? Portanto, correi para conseguir o prêmio” (1 Cor 9, 24). (João Paulo II, 29/10/2000). Tal citação nos é oportuna, pois por analogia, ratifica todo o empenho de um atleta tal como qualquer individuo que vença as dificuldades com base na superação dos limites.

Com base em De Magalhães (2013, p. 38), sobre o discurso do Papa João Paulo II à Seleção nacional de Futebol do México, a fala é inequivocamente concordante com o Manifesto do fair play de 1977: “deve ser ocasião impreterível para praticar as virtudes humanas e cristãs de solidariedade, lealdade, bom comportamento e respeito pelos demais, aos quais se deve ver como competidores e não meros adversários ou rivais.” Não há nem mesmo um nível pequeníssimo de cultura historiográfica no meio jornalístico da esquerda para entender este importante período de desenvolvimento da educação física desportivista durante os anos de 1964-1985. A inépcia esquerdista não consegue entender minimamente uma única frase, debocha de algo que não compreende e não é capaz de refutar sequer uma única linha, é vergonhoso.

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Ainda segundo a santidade, o Papa João Paulo II: “O primeiro de todos os valores é o sentido religioso da vida humana. Como o sabeis, o esporte é uma atividade que comporta bem mais que o movimento do corpo: ele exige que se use a inteligência e que se discipline a vontade. Em outras palavras, esta atividade traz à luz a maravilhosa estrutura da pessoa criada por Deus como ser espiritual, como unidade de corpo e espírito” (João Paulo II, 1987, p. 82). Poderíamos ficar aqui fornecendo inúmeros outros exemplos para ilustrar o quão supremos são os valores do esporte na escola, mas estas citações já são suficientes para provar o quão ignorantes são os críticos do esporte na escola.

Com referência ao conceito de “marxismo cultural”, tido como uma obsessão da direita conforme o blog Pragmatismo Político[2], ele é consagrado na literatura especializada como uma ideologia marxista assumida após inúmeras tentativas frustradas de se tomar o poder à força. A esquerda brasileira tenta de forma desesperada esconder o que é impossível ser escondido. Para efeito de pesquisa aprofundada, a dica é ler o livro A imaginação dialética: História da Escola de Frankfurt e do Instituto de Pesquisas Sociais do autor Martin Jay. Como já demonstrei em meu livro Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural, na educação física brasileira o marxismo cultural já está na prática há muitos anos. Para saber um pouco mais sobre meu livro, é imprescindível ler a resenha do economista Rodrigo Constantino, A importância do esporte na formação do caráter do indivíduo.[3]

Marx, um dos fundadores da I Internacional Socialista de 1864, inspirou o desenvolvimento do que se convencionou chamar de marxismo clássico. Reale e Antiseri (2005) nos lembram que as previsões de Karl Marx não se concretizaram e uma modificação no marxismo teria que ocorrer de forma bem rápida. Reale e Antiseri (2005) identificam uma ampla crítica ao marxismo clássico, buscando-se uma intensa reforma nas concepções políticas dessa corrente de pensamento. Nesse sentido, a teoria marxista precisava ser revisada. Esta revisão levaria o marxismo clássico ao marxismo cultural.

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Nosso ministro da educação também explica muito bem a estrutura da Escola de Frankfurt. Velez-Rodriguez (2006) ressalta que a estrutura do marxismo cultural, proveniente da turma de Frankfurt, só foi possível por meio de um organizado planejamento de recursos financeiros, especialmente de judeus argentinos que trabalhavam com a exportação de trigo.

Este é outro tema em que o jornalismo esquerdista adora passar vergonha. Não leem nada, não estudam com seriedade, não participam de debates verdadeiramente honestos, ou seja, são verdadeiros zumbis daquilo que sobrou da esquerda no Brasil. Felizmente, o Brasil está saindo dessa realidade de emburrecimento e incapacidade mental e cultural.

Referências

DE MAGALHÃES, A. B. Esporte e compromisso cristão. Aparecida, SP: Editora Santuário, 2013.

JOÃO PAULO II. O desporto na harmonia da criação. 1987. In. Movimento escoteiro, desporto e natureza: De Pio XII a João Paulo II / Textos escolhidos e apresentados pelos monges da Abadia de Solesmes; Bauru, SP: EDUSC, 1999.

JOÃO PAULO II. Homilia no Jubileu dos Desportistas. 29/10/2000 https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/2000/documents/hf_jp-ii_hom_20001029_jubilee-sport.html

MANIFESTO SOBRE O FAIR-PLAY. Revista Brasileira de Educação Física e Desportos, Brasília, n. 33, p. 4-14, 1977.

REALE, G, ANTISERE, D. História da filosofia, 6 De Nietzsche à escola de Frankfurt. São Paulo: Paulus, 2005b.

REDDEN, J. D, RIAN. F. A. Filosofia da educação. Livraria agir editora, Rio de Janeiro, 1964.

VELEZ-RODRÍGUEZ, R. V, E, DE SOUSA, P. S. O marxismo gramsciano: pano de fundo ideológico da reforma educacional petista. Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos. Ano I, Nº 1, Juiz de Fora, set.-nov./2006.

[1] https://www.pragmatismopolitico.com.br/2018/11/ministros-bolsonaro-massacre-noruega.html

[2] https://www.pragmatismopolitico.com.br/2018/11/ministros-bolsonaro-massacre-noruega.html

[3] http://www.rplib.com.br/index.php/artigos/item/4772-a-importancia-do-esporte-na-formacao-do-carater-do-individuo

*Sobre o autor: Alessandro Barreta Garcia é mestre em educação e autor do livro ‘Educação Física e Regime Militar: Uma Guerra contra o Marxismo Cultural’.

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