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A liberdade de expressão da Charlie Hebdo e de Jair Bolsonaro

Os cartunistas da Charlie Hebdo não se cerceavam. Desenhavam o que queriam. Ironizavam, sem receio, líderes políticos, símbolos religiosos, grupos sociais. Enfim: eram indelicados, deselegantes, grosseiros e tinham todo o direito de ser assim.

Jair Bolsonaro não se cerceia. Em seus mandatos, nunca economizou em declarações polêmicas, palavras indelicadas e nem demonstrou, ao menos publicamente, qualquer interesse em ser elegante ou fino com os seus adversários.

O deputado e a revista francesa provavelmente compreendem que é justamente esse estilo, irreverente para alguns, grosseiro para outros, que lhe rendem a sobrevivência. O que é absolutamente legítimo em um ambiente de liberdades, por mais repugnante que a primeira vista pareça.

Muitos dos que agora lamentam o ataque à liberdade da Charlie Hebdo são os que, há algumas semanas, defendiam a cassação de Bolsonaro na Câmara.

“Não deve haver espaço para ele no Congresso”, diziam em relação ao parlamentar. “Não há espaço para eles no mundo”, deviam declarar os terroristas.

Seria produtivo que esse trágico atentado ocorrido ontem na França servisse, ao menos, para reflexão. A defesa da liberdade deve ser intransigente. Se você quer defender a sua liberdade de ser o que é e falar o que quiser, comece fazendo o mesmo por quem você discorda. Sendo ele um idiota ou não.

Gabriel Menegale

Gabriel Menegale

Jornalista (DRT 0039281/RJ) e publicitário, graduado pelo Ibmec/RJ. Ex-conselheiro-executivo do Estudantes pela Liberdade (atual Students for Liberty Brasil) e editor do Boletim da Liberdade.

3 comentários em “A liberdade de expressão da Charlie Hebdo e de Jair Bolsonaro

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    09/01/2015 em 4:38 pm
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    Sou 100% de acordo com voce!Acrescento ainda que quem quer regulamentar a midia, ou atacar a sede da Revista Veja, também nao pode dizer que é Charlie Hebdo!
    #JE SUIS CHARLIE!

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    09/01/2015 em 12:12 am
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    Fantástico. Bem, poderia ter deixado fora a parte de idiota.. mas.. é uma escolha.
    O importante aqui é o escancaramento de: sem concessões. É isso. A partir das pequenas concessões que criam as exceções.. desmorona tudo. A censura toma conta.
    Muito bom. Bravíssimo.
    OBS.: achei a comparação inusitada, muito boa e acho que ninguém pensaria nela. E pensando, quem arriscaria comentar..? Corajoso. Muito bom.

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