Lena Dunham e a guerra contra a verdade

Lena Dunham

O que você precisa saber sobre o caso Lena Dunham:

– A novaiorquina Lena Dunham, 28 anos, é uma estrela em rápida ascensão no showbiz americano. É diagnosticada como depressiva e toma medicações regulares para controlar seu TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).

– Atriz, roteirista e diretora premiada, Lena é a criadora da série “Girls”, sucesso da HBO, e recentemente lançou o livro autobiográfico “Not That Kind of Girl” (“Não sou uma dessas” em português, editora Intrínseca).

– No livro, Lena Dunham acusa um colega de faculdade, identificado apenas como Barry, de tê-la estuprado. Ela conta o caso com riqueza de detalhes e ainda descreve seu tipo físico e que seria, claro, “republicano”.

– O problema é que existe um contemporâneo de Lena na faculdade chamado Barry que bate com a descrição e, depois do lançamento do livro, sua vida virou um inferno. Ele perdeu o emprego e começou a ser perseguido mesmo negando tudo veementemente e ainda dizendo que nunca esbarrou com Lena na vida.

– A imprensa americana fez um carnaval com a história, especialmente a revista ultra-esquerdista Rolling Stone. Ninguém se deu ao trabalho de fazer qualquer tipo de checagem, a versão de Lena bastou para incontáveis matérias e colunas sobre a “cultura do estupro” no país que terá, em 2016, uma mulher de esquerda disputando a presidência.

– Um reporter do portal Breitbart, editado por Ben Shapiro, resolveu investigar a história, que se mostrou completamente inconsistente, sem pé nem cabeça. Contemporâneos de Lena também negaram vários detalhes da história.

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– A reação da imprensa e dos formadores de opinião foi, claro, xingar o repórter, o portal e todos que questionavam a história de “insensíveis ao estupro” e coisas do tipo. Soa familiar? Pois é. A população foi martelada dia e noite com a idéia de que a direita e os conservadores não estão nem aí com as vítimas de estupro por apenas investigarem a história do republicano Barry.

– A história se mostrou completamente falsa e agora Lena diz que foi mal interpretada, que era um relato ficcional, e que isso será consertado nas próximas edições do livro. Sua editora, a Random House, alegou que pagará as despesas dos advogados de Barry que agora busca uma reparação judicial por tudo que passou e ainda está passando.

– Lena deixou que Barry fosse desossado publicamente até que um portal conservador investigasse a história. Ela teve todas as oportunidades de dizer que o relato era ficcional mas deixou Barry sangrar em praça pública e só confessou a mentira depois que a mentira já havido sido descoberta.

Se você acha que a esquerda reconheceu o erro, pense de novo. Assim como nos casos de Trayvon Martin, Michael Brown e tantos outros, a imprensa diz que “o que importa mesmo” é “levantar a discussão” e que se você quer saber detalhes das histórias ou quer investigar você é “racista”, “sexista”, “homofóbico” blá blá blá.

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Esse caso levanta um ponto que é realmente assustador: a mentira está, cada vez mais, se cristalizando como um instrumento da guerra política que a esquerda declarou contra qualquer um que apareça em seu caminho. E o pior: a mentira pode ser até mais eficiente que a verdade.

Vivemos uma época brilhantemente descrita por Malcolm Gladwell em seu livro de 2005 “Blink: A Decisão num Piscar de Olhos” em que as decisões hoje são tomadas antes de que você tenha tempo para pensar e refletir. É um mundo em que as primeiras impressões e as idéias instantâneas, na velocidade das redes sociais, são as que contam.

Nesse sentido, quando a esquerda espalha uma narrativa falsa na imprensa e os conservadores reagem exigindo mais detalhes ou querendo investigações mais profundas, a esquerda grita “racista”, “homofóbico”, “sexista”, “islamofóbico”, e a acusação fica carimbada na sua testa. Como a história é falsa, a direita fica atordoada tentando dizer que não é a favor do racismo, por exemplo, apenas que aquela história específica é falsa, mas com o ambiente irracional e histérico criado em torno da história ela acaba parecendo, aos olhos menos atentos da opinião pública, que está mesmo defendendo um racista (ou, no caso de Lena Dunham, um estuprador).

Quando você vive num tempo em que a mentira vira arma de guerra, é preciso que o nosso lado pare de reagir sem pensar, entenda o que está acontecendo, estude como se comportar em situações como essa, antes que saia contra-atacando de uma maneira que pareça para o espectador desatento que você está do lado do crime apenas por buscar a verdade. É uma armadilha satânica em que muitos estão caindo sem perceber ou por terem dificuldade de aceitar o real caráter de seus opositores.

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Lena Dunham é uma pessoa desprezível, mas ela é apenas parte de um momento muito delicado da história do ocidente em que os inimigos jogaram a verdade fora e hoje lutam ideologicamente apenas com narrativas ficcionais criadas e propagadas pela imprensa e redes sociais sem que haja tempo para que a verdade apareça antes que as convicções sejam formadas e reputações destruídas.

A história de Lena Dunham é falsa, mas vivemos num tempo em que, quanto mais falsa, mais eficiente. Ou a direita entende isso ou acabará com sua credibilidade destruída apenas por defender a verdade.

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Alexandre Borges

Alexandre Borges

Alexandre Borges é carioca, comentarista político e publicitário. Diretor do Instituto Liberal, articulista do jornal Gazeta do Povo e dos portais Reaçonaria.org e Mídia Sem Máscara. É autor contratado da Editora Record.

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