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Eugênio Gudin, o mais icônico apoiador do liberalismo econômico

Eugênio Gudin (1886-1986) nascido em um 12 de julho, foi, sem sombra de qualquer dúvida, o mais icônico apoiador do liberalismo econômico na metade do século XX, exercendo enorme influência sobre a geração seguinte de economistas brasileiros e preparando o terreno para que surgisse a leva de liberais de que Roberto Campos foi o maior expoente.

Gudin teve uma experiência no ministério do breve governo Café Filho, defendendo a responsabilidade fiscal e o equilíbrio da moeda; representou ainda o Brasil na sociedade Mont Pélerin, fundada para reunir os principais intelectuais e ativistas do liberalismo e da economia de mercado no mundo, bem como na Conferência de Bretton Woods. Já fez referências a autores da Escola Austríaca, em especial Mises e Hayek, resgatados posteriormente como referências teóricas pela geração que fundou o Instituto Liberal.

Tenho críticas a ele, em especial à sua visão mais permeável a soluções não-liberais na esfera política; em dezembro de 1977, o Jornal do Brasil registra um debate entre Gudin e Hayek, quando este esteve no Brasil, em que Hayek defende uma esperança liberal-democrática (ainda que na forma da sua proposta pessoal chamada “demarquia”), dizendo que era a única forma de mudança pacífica de governo, enquanto Gudin, que apoiou o Ato Institucional Número 2 (quando Carlos Lacerda, a quem admirava, já estava contrário ao regime militar), sustentava que a democracia lhe parecia lamentavelmente ser apenas uma utopia no Brasil.

No fim, Gudin voltou-se contra os governos militares, em função do estatismo galopante. Compreendidas as idiossincrasias do tempo de um homem que chegou a falecer aos 100 anos em 1986, esse defeito não anula a lembrança que os defensores do “monstro capitalista”, no dizer das esquerdas, devem cultivar de sua obra desbravadora.

Lucas Berlanza

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), colunista e presidente do Instituto Liberal, sócio honorário do Instituto Libercracia, editor do site Boletim da Liberdade e autor dos livros "Lacerda: A Virtude da Polêmica", “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”, "Os Fundadores - O projeto dos responsáveis pelo nascimento do Brasil" e "Introdução ao Liberalismo" (co-autor e organizador).