De volta ao Estado total

Uma boa forma de averiguar a saúde de um país, plausivelmente, é analisar a chance de sair à rua e voltar com vida. Na verdade, esta questão fundamental, respondida em eixos díspares, é a base de visões políticas tão distintas. Uma buscando um ordenamento em que a não-agressão, o contrato voluntário e a força policial […]

coitadismonaoUma boa forma de averiguar a saúde de um país, plausivelmente, é analisar a chance de sair à rua e voltar com vida. Na verdade, esta questão fundamental, respondida em eixos díspares, é a base de visões políticas tão distintas.

Uma buscando um ordenamento em que a não-agressão, o contrato voluntário e a força policial visando a manutenção das relações pacíficas tragam a prosperidade, outra forçando algum “justiçamento histórico” através de ações isoladas ou estatais, em que a violência e a coação possam ser justificadas em busca de um ideal abstrato, como “igualdade” ou “reparação”.

De forma trágica, o ciclista Jaime Gold, 57, sentiu o horror desta última forma de gerir a sociedade, literalmente, na pele. Na madrugada do dia 20 de maio, foi esfaqueado por dois assassinos em frente ao centro náutico do Botafogo, que deram facadas em seu braço e abdômen, por trás. O ciclista, também médico, nem sequer reagiu: os homicidas não avisaram, apenas chegaram esfaqueando.

Os latrocidas fugiram com sua bicicleta – a eles, mais importante do que a vida do ciclista e médico, subtraída de forma tão dolorosa e fútil. Um dos menores presos no dia seguinte acusados pelo crime tem 15 passagens pela polícia, cinco delas por porte de faca. Sua “carreira” começou aos 12 anos.

Para a sociedade que vai tendo seus membros mortos dia a dia, ainda zombou da impunidade garantida para seus interesses na vida: “O máximo que eu fiquei [internado] foram 45 dias mesmo”.

Não deixa de chamar atenção que os mesmos caudatários da crença de que o problema do Brasil é a impunidade sejam os primeiros a recusar a redução da maioridade penal, exigindo a mesma impunidade como meio de atingir novamente o ideal abstrato (igualdade, justiça social etc) através da violência e da morte.

É a crença na tirania do bem, numa imperfeição social que só é corrigível com um Estado que possa mandar em tudo, colocando-se os políticos adequados no poder para obrigar ou proibir todos até um ideal perfeito (por exemplo, um Marcelo Freixo, defensor do ECA e de todas as proteções legais que mantêm assassinos assassinando nas ruas do Rio e do Brasil).

Claro, o médico não foi o primeiro esfaqueado no Rio – até um garoto de 14 anos teve sua bicicleta roubada por adolescentes que esfaquearam seu peito. Os casos abundam no aterro do Flamengo e em outras localidades.

Numa semana em que tantos “artistas” (para quem crê que há arte no Brasil) e “intelectuais” (para quem comunga da fé de que o palpitariado hiperfaturador e rouanetado brasileiro tem alguma noção intelectual não-platiforme) criticaram tanto o “avanço conservador” no país, foi um excelente momento para entender que, entre as duas correntes políticas principais no mundo, o conservador se destaca justamente por querer conservar vidas humanas, ao contrário de seus adversários.

Novamente, havia a diferença escancarada entre a liberdade do livre contrato em um ordenamento baseado na confiança dos pactos e na troca voluntária, e um ordenamento que busque uma planificação ou reconstrução em busca de uma abstração de justiça extraída da realidade, crendo em violências aceitáveis e numa necessidade de um poder completo do Estado para haver uma sociedade “justa”.

Para quem conhece este enredo, o famoso “Caminho da Servidão” de Friedrich Hayek, o que viria a seguir não surpreenderia.

O jornal Extra publicaria uma “reportagem” de capa, na aquarela do new journalism, sobre o assassino de 16 anos, intitulada “Duas tragédias antes da tragédia”. Ou seja, “Sem família, sem escola”. Algo que poderia ser uma verdadeira posição em nome da paz e da liberdade perante a tirania – família e escola são dois valores de liberdade perante a planificação por definição. Mas o que se escondia por detrás destes termos tão belos não era senão o desejo de atuação estatal para corrigir tudo, inclusive a própria família. Novamente, a tirania, o Estado total – onde quer que haja espaço para haver atuação estatal, lá estará um “intelectual” o defendendo. Onde não houver, lá também haverá um “intelectual” tentando forçar a porta.

Poderíamos então imaginar que a esquerda e sua hegemonia no jornalismo, na pedagogia, na política e na cultura tratariam ao menos um caso claro de estupro como uma pessoa normal faria, sabendo perceber corretamente quem é o agressor e quem é o agredido numa situação tão óbvia.

Esta hipótese seria ainda corroborada pelo lugar que a esquerda modernosa 2.0 deu à mulher, junto aos gays e aos negros, como vítimas a serem exploradas em busca de uma estatização maior da vida. Se até assassinatos deixam de ser crimes, praticamente tudo, de cantadas a elogios, passa a ser uma forma suave de estupro.

O crime mais chocante da história “civilizada” do Brasil pós-canibalismo, o assassinato do casal de adolescentes Liana Friedenbach e Felipe Caffé, foi analisado pela esquerda. E o resultado mostra que nem mesmo um seqüestro com seguidos estupros, que destruíram a vagina da garota, seguido de torturas e morte por facadas, começando pelas costas e passando por peito, coxas e pescoço, no meio de uma nova sessão de estupros num matagal na madrugada, que terminou por degolar a garota de 16 anos que depois teve seu corpo novamente violentado, parece dar azo à esquerda para perceber quem é que está fazendo alguma coisa errada a quem. Ou notar que a menor minoria oprimida a ser defendida é um ser humano individual que está na ponta de uma faca.

Não enxergando estes indivíduos, e sim coletivos, como classe, “raça”, gênero ou opção sexual, a interpretação de um ser vivo agrilhoado pela verborragia da esquerda é sempre buscar uma disparidade de poder entre estas categorias repisadas. É a novidade de Michel Foucault e sua “microfísica do poder” em relação ao velho projeto marxista.

Com esta faca de dois gumes em mãos (por confundir poder concreto com abstrato, e por esta faca ferir mais o contato do esquerdista com a realidade do que lhe dar poder real de conhecimento), a esquerda passa então a buscar não a concretude do real, como de retardados a gênios fazem, e sim buscar a diferença de classe/”raça”/gênero/opção-sexual e macaquear uma injustiça só corrigível pelo poder de mando e proibição de um Estado para corrigir a totalidade da realidade, ignorando quem está machucando quem.

Foi o que fez o professor de Direito Penal abolicionista (quer abolir as punições) Túlio Vianna, em um arrazoado chamado “E se Liana se chamasse Maria e Felipe se chamasse João?”, onde nega até que Felipe Caffé, o namorado de Liana Friedenbach assassinado com um tiro de espingarda na nuca, na verdade, era de classe média baixa.

Para Vianna, tudo se deu porque a “balança da mídia e de seus consumidores de tragédias pessoais” não gostam de pobres, como o assassino Champinha e seus comparsas, e não porque Liana pode ter sentido alguma dor no processo. Escreve: “Liana e Felipe, em sua sede de aventura, foram vítimas da desigualdade brutal que tanto os distanciavam de Champinha, seu suposto algoz e atual personificação do demônio segundo a mídia-urubu que a cada dia infesta nossos noticiários.”

Ou seja, não foram vítimas de um assassino, de um seqüestrador, de estupros violentos seguidos (por vários homens), de uma bala de espingarda, de facadas lentas durante uma sessão de tortura. Foram vítimas da “desigualdade” (que afetava até mesmo o próprio casal), como se “desigualdade” provocasse tais sevícias. É isto o que Túlio Vianna e a esquerda pensa que pobres gostam de fazer.

Notem, sobretudo, que Champinha e seus comparsas (Champinha chegou a simplesmente declarar: “Matei porque quis”) são apenas “supostos algozes”. O algoz verdadeiro deste casal, caro leitor, é você. Ao menos para Túlio Vianna e para a sociologia esquerdista.

Afinal, Champinha não teria feito nada demais: “O trágico final da história todos conhecem, tal como foi contado pela mídia em uma versão para adolescentes da velha fábula de João e Maria, que foram aprisionados pela perversa bruxa da floresta.” Crer que Liana de fato foi morta e torturada é apenas “versão para adolescentes” de uma farsa.

A verdadeira vítima? Champinha, o “dimenor”, na época com a idade de Liana. É o que Túlio Vianna escreve, em tom de deboche para os atrasados que pensam o contrário: “Violento é Champinha e não o Estado que lhe negou uma infância minimamente digna e a mídia que só enxerga as crianças e adolescentes miseráveis para mostrar a seus consumidores o quanto eles são ‘perigosos’ e com que frieza eliminam uma vida.”

Ou seja, na verdade, o único violento nesta história é o Estado, ou, na verdade, a falta de Estado. Enquanto não houver um Estado total, capaz de cuidar de cada criança, retirá-la da responsabilidade de sua família e cuidar no modelo espartano/pol-potista da propriedade comum de vidas e corpos humanos, podemos considerar que qualquer seqüestrador-estuprador-torturador-homicida (tudo junto) está apenas fazendo justiça social com as próprias mãos. E, claro, a mídia e “seus consumidores”, que emperram o projeto do Estado total, assustando-se erroneamente com um caso como este.

Vianna até propõe a solução mais claramente: “Se o Estado tivesse proporcionado a Champinha um tratamento adequado às convulsões que passou a ter a partir dos 14 anos, teria ele tamanho desprezo pela vida humana?”

Partindo do determinismo marxista da emancipação pela coletivização absoluta, Vianna cai na esparrela de crer que apenas o Estado-Leviatã hobbesiano é capaz de impedir um homem de ser lobo de outro homem, aceitando feliz e orwellianamente a tirania como libertação e correção dos nossos problemas – exatamente como C. S. Lewis previra que aconteceria mais de meio século antes.

Afinal, Liana não era vítima, pois era rica. A verdadeira vítima era seu torturador que a tirou deste mundo, Champinha, por ser pobre – o que justifica qualquer coisa. Ainda indigna-se por alguém não querer andar com Champinha no recreio: “A [vida] de Champinha não vale nada!” Oh, pobrecito! Como está preocupada com os pobres pegando 3 horas de trem para chegar ao trabalho e ter uma vida honesta, esta tal esquerda!

Como é típico dos negadores da liberdade individual e defensores do totalitarismo, a crença cega no determinismo é a regra: “Como então exigir de Champinha que respeitasse a vida de Liana e Felipe, se o Estado e a sociedade nunca respeitaram a sua?” Ora, como exigir que alguém com alguma dificuldade na vida respeite vidas humanas, quando o justo é deixá-los sair matando e torturando a esmo por aí, pois é tudo culpa da (falta de) Estado e “da sociedade”, sempre ela? Como exigir, que absurdo, que alguém não mate outros, se apenas o Estado Total, Leviatã e Maoísta, pode impedir isto?

A culpa, mesmo num caso de estupro e tortura, é sempre da vítima. E de nós, como mostra o parágrafo mais nojento já escrito na língua portuguesa: “A mídia-urubu e seus consumidores de carniça impressa e gravada clamam por justiça, em nome de Liana e Felipe, que tiveram a infeliz idéia de acampar no lugar errado num misto de desafio e coragem.” Quem esta Liana pensa que é?! Quem estes indignados são, além de consumidores da carniça da garota?!

Se o jornal Extra aparenta estar favorecendo a família e a formação do indivíduo perante os poderosos ao pedir “escola”, basta conhecer o ideal marxista e positivista da educação como doutrinação para planificação social (vide o imprescindível livro de Bruno Garschagen, “Pare de Acreditar no Governo: Por Que os Brasileiros Não Confiam nos Políticos e Amam o Estado”) para entender que, quando pede “escola e família”, vendo tragédia na falta das duas, está apenas repetindo o reclame da falta de um Estado que possa controlar a ambas, para que elas nunca saiam do esperado.

É como Túlio Vianna conclui: “Reduzir a menoridade penal, é a forma mais simples e irracional de resolver um problema complexo: lugar de criança e de adolescente é na escola e não trabalhando como tantos de nossos jovens que perdem suas infâncias e adolescências para ajudar no sustento de seus lares.”

Não há recordações de Champinha ter deixado a escola para “trabalhar”, de estuprar para “ajudar no sustento de seu lar”, de ter perdido a infância por estar dando duro para ajudar sua família. Mas a esquerda, pensando em classes, em libertação pela tomada de poder, em liberdade como coletivização social e num Estado total corretor para impedir que a maldade ocorra só pode ter a fé cega, metástica e fanática neste determinismo assassino.

Ou, como encerra simplória e rastejosamente Túlio Vianna: “Assim fazendo certamente estaremos evitando tragédias como esta.” Certamente?

Quando o rabino Henri Sobel, da comunidade judaica de que Liana fazia parte, pediu a pena de morte no Brasil, outra esquerdista, Marilene Felinto, na Caros Amigos, também aplicou o mesmo princípio para concluir que a “hipocrisia do rabino é flagrante: está claro que ele defende a pena de morte para brasileiros pobres.”

Pobres que me estão a ler, vocês saem por aí seqüestrando, torturando, estuprando, esfaqueando, torturando, assassinando, degolando e rindo porque são pobres? Desde minha infância no Itaim Paulista, desconheço quem faça isto.

Caudatária da credulidade de que é a pobreza que gera a maldade, Felinto até se outorga o direito de inverter a equação e afirmar implicitamente que pobres são maus, já que haver pena de morte para tais crimes é “defender a pena de morte para brasileiros pobres”.

Não falta nem o típico racismo esquerdista que gerou o nazismo (ao contrário do que se propaga, não um mero movimento de auto-afirmação racial, mas de eliminação de uma “elite econômica estrangeira”): “No seu delírio, o rabino deve ter achado que aqui é uma espécie de Israel – e que a esmagadora maioria dos brasileiros, da classe pobre, é uma espécie de Palestina a ser eliminada da face da terra!”

Ou ainda mais claramente: “O caso de Liana Friedenbach reúne todos os elementos da hipocrisia da elite paulista – esta de nomes estrangeirados, pronta para impor-se, para humilhar e esmagar sob seus pés os espantados ‘silvas’, ‘sousas’, ‘costas’ e outros nomezinhos portugueses e ‘afro-escravos’.”

Muito curioso para uma esquerda que adora ostentar sobrenomes como Sader, Salvatti, Hoffmann, Wyllys, Altman, Aronovich, Moschkovich, Rossi, Palocci, Smith Suplicy. Ainda buscamos o esquerdista chamado Severino Cimento. Curioso ainda mais para uma esquerda que jura que, se o nazismo perseguiu judeus (como os Friedenbach), o nazismo não pode ser de esquerda.

Se pensar por “classes sociais” parece sensato, deliciemo-nos com as palavras de Felinto: “O que torna um crime mais ‘hediondo’ que outro? Só se for a classe social da vítima: quando é rica e loirinha, então, o crime é mais hediondo do que se a vítima for um ‘Pernambuco’ qualquer”. Loiras: vocês não têm direitos. Ricos: hediondos são vocês.

E tome mais do dogma de fé no determinismo classicista: “Por acaso a classe alta saiu às ruas para pedir a pena de morte para outra menina rica paulista, Suzane Richthofen”? Sim, Felinto, pediu. Pessoas normais, ao contrário de esquerdistas, procuram culpados vendo quem derrama sangue, e não através da suposta classe da vítima. Não houve nenhum “rico” pedindo pena branda para von Richthofen por ser rica e “loirinha”. Isto deixamos para os advogados e palpiteiros de porta de cadeia.

É o que o pensamento de “classes sociais” e de correção dos males da sociedade pelo Estado conclui, atirando na “política de segurança fascista [de Geraldo Alckmin] “que propõe ‘endurecer’ o ECA”, concluindo: “o alvo de todos eles é o mesmo do rabino da pena de morte: o extermínio puro e simples dos jovens pobres.”

O corolário negaria o que Felinto acredita que “a elite” quer: quem mais sofre com a criminalidade, ela própria admite, são os pobres. Quando se quer penas mais duras para assassinos, quem mais se quer proteger são… os pobres. Mas Felinto crê que ninguém “trata desse veneno que a elite brasileira truculenta injeta todo santo dia na veia dos meninos.” Menininhos inocentes como Champinha, coitados, sofrem em excesso com os estupros, seqüestros, torturas, facadas e degolamentos desta elite malvada.

Se o totalitarismo parece ter ficado para trás como ideologia (sobretudo para quem não conhece os delírios de Slavoj Žižek et caterva), se a crença na necessidade do Leviatã para manter toda a sociedade atada a um centralismo parece ultrapassada depois de tantos liberais propagarem os direitos do indivíduo, sempre é bom notar que há ainda seus defensores tardios, como deixa claro Felinto: “O que a ‘violência’ diz hoje no Brasil é que ou seremos todos cidadãos ou ninguém será, ou ninguém viverá a ‘segurança’ almejada pelos ricos. Ou serão todos cidadãos ou ninguém será.” Na base do estupro, até – rumo ao Estado total, rumo à expropriação dos ricos!

O diagnóstico e o método também são claros: “Foi a própria elite brasileira que transformou R.A.A.C. [Champinha] em pessoa-animal. É preciso ser intransigente com essa elite brasileira surda e cega ao ódio de classe que ela insufla.”

A culpa, é claro, é da elite! E é preciso ser intransigente com essa elite, e descarregar todo o ódio que ela insufla. Mesmo em meninas de 16 anos. Foi Liana, afinal, que “insuflou ódio” em Champinha, nada mais normal que ele ser “intransigente” com ela, até que “todos sejam cidadãos” com direito a estuprar a virgem que quiserem – enquanto não tiverem isto, “ninguém viverá a ‘segurança’ almejada pelos ricos” (afinal, pobre não gosta de segurança).

O Estado total para corrigir o homem pode, por questões de marketing, não se auto-declarar mais “totalitarismo”, mas a “justiça social”, o “bem-estar”, o “Estado dos pobres”, o populismo e demais formas modernas de Estado sobre a liberdade individual continuam vivíssimas – e mais ameaçadoras do que nunca.

O Rio de Janeiro tem um fortíssimo candidato a prefeito do PSOL, Marcelo Freixo, grande padrinho da “justiça social”, do coitadismo penal, da desculpabilização do criminoso pela pobreza – e nem disfarça que seu objetivo é o Estado total do socialismo.

Se o PT, em nível nacional, perdeu força, o Rio de Janeiro, como cidade maravilhosa, individualmente, pode não ter apenas uma “onda de esfaqueamentos” desculpada pelas autoridades que deveriam diminuí-la, mas agigantada e tratada como método de “justiça social”. Há uma opção em 2016 que pode simplesmente significar mais cariocas e turistas mortos.

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  • Thiago Rossellini Correa

    Excelente artigo. Acrescento ainda a análise do Alexandre Borges acerca da capa abjeta do Extra, quando ele, Borges, compara a forma com a qual um sociopata como, por exemplo, Hannibal é tratado por psiquiatras afim de persuadi-lo a enxergar traços de humanidade nas vítimas. Sim, o Jornal Extra nos tratou como sociopatas ao tentar colocar traços de humanidade num verme de 16 anos que ESCOLHEU ter 15 passagens pela polícia e matar covardemente o ciclista Jaime Gold.

  • Caio Olimpio

    Nem tanto ao céu nem tanto a terra. É pertinente e saudável um contraponto ao discurso hipocrita do coitadismo justificando a impunidade. Assim como seria necessário punir o jovem embriagado que matou um ciclista usando seu carro em alta velocidade, merece punição o jovem que matou o ciclista ( medico ou não) a facadas. O problema é a sociedade aceitar e comprar(caro) que basta encarcerar para resolver o problema. Não basta. A lei de responsabilidade penal no Brasil já é 12 anos. Com exceção dos crimes contra vida, em especial latrocínio, estupro, sequestro com lesão corporal grave, esta lei já bastaria se fosse aplicada corretamente e houvesse responsabilização dos pais e condições e estratégias praticas para a responsabilização e inserção social deste ser humano. No caso das exceções citadas, penas mais duras sim, mas como toda pena, deveria ter realmente a função de preparar o sujeito para sair melhor do que entrou, que é o que não acontece hoje.

    • Caio, só faço notar que ninguém afirmou que “reduzir a maioridade penal resolve tudo”, como sempre tentam “acusar” quem propõe UMA lei, dentre TANTAS OUTRAS medidas. Menos ainda tenho grandes preocupações com a “função de preparar o sujeito para sair melhor do que entrou”. Isto é apenas a CRENÇA irracional de alguns. Eu não tenho motivo nenhum para crer que seja possível (que dirá JUSTO) tirar Champinha da cadeia. Se ele algum dia sair “melhor do que entrou”, o único que foi beneficiado com DEZENAS (ou CENTENAS) de milhares de reais de nossos bolsos para tal foi ELE – justo mesmo não é que ele algum dia acorde feliz da vida, livre da dor que causou.

      • Bernardo Martins

        Nunca tinha pensado sob esse ponto de vista, de que se sair melhor que entrou, ele mesmo seria o maior beneficiado e não a sociedade. Obrigado!

  • Edw90

    No ponto.

    É ingenuidade cair no papinho de esquerdista que eles, ao serem contra a redução da maioridade penal, querem apenas um sistema mais eficiente de recuperação do criminoso.

    Que ao serem contra dar uns tapas em bandido no poste, eles querem o respeito à integridade física de uma pessoa ou ao inócuo
    palavreado dos “direitos humanos”.
    Que ao culparem banhistas com bens pelos arrastões, eles estariam “culpabilizando” a vítima como reclamam que fazem com o
    estupro.

    Você não está diante de uma pessoa sensata com mais ou menos os mesmos objetivos que você, mas que teria métodos diferentes para resolver isso (esses seriam os esquerdistas mais moderados e dialogáveis, não o esquerdista por excelência).

    Você está diante quem toma essas posições por acreditar que o menor criminoso é um oprimido que se revolta justamente e poderia (ou deveria) esfaquear alguém como você; e fazer arrastões para tomar para si os bens que você “ostenta”.
    Que é contra linchar bandido não por amor à vida humana (fã aberto do Lenin lá tem apreço pela vida humana!?), mas porque o bandido estava fazendo justiça e foi brutalmente impedido por quem é “parte do problema”: a classe média, os burgueses.

    E a chave para entender isso é essa mentalidade da luta de classes, da “justiça social”, do Estado Total, que você tão bem explicou no texto.

    Passou do momento de tratar esses malucos e psicopatas revolucionários como o que eles são.
    Os revolucionários mais virulentos de hoje estão no cinismo de se pintarem como os campeões dos “direitos humanos” e do
    “respeito” (vide o cínico “mais amor, por favor”).

    O sucesso que essa estratégia está obtendo advém justamente dos fundamentos revolucionários ignorados mesmo por liberais e
    conservadores. Textos como este servem para elucidar como realmente pensa esta esquerda, e como deve ser entendida por adversários. A partir daí se argumenta com os esquerdistas superficiais, moderados, antes que caiam na extrema-esquerda fantasiada de “gente do bem”.