Antes do “não atire”, diga o “eu não minto”

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Você que presenciou uma das minhas palestras sobre imprensa e ideologia deve se lembrar do caso Michael Brown, um assaltante que foi morto pelo policial branco Darren Wilson em Ferguson, nos EUA, e depois inocentado pela justiça.

A história é de 2014 e ajudou a colocar mais lenha na fogueira do movimento Black Lives Matter criado no ano anterior por conta da morte de Trayvon Martin e da absolvição de George Zimmerman que matou Martin em legítima defesa. A absolvição de Wilson gerou uma grande onda de protestos, saques e quebra-quebras nas ruas de várias cidades e chegando, desde então, aos absurdos crimes ocorridos em Dallas contra policiais no último dia 7.

O BLM assumiu como principal slogan o “Don’t shoot!” porque um amigo de Michael Brown, alguém com várias passagens pela polícia e histórico de uso de drogas, disse que antes de ser alvejado ele teria levantados os braços e suplicado ao policial “não atire!”, sendo depois morto à queima roupa, desarmado e indefeso. Um adolescente de 18 anos sem histórico criminal sendo morto friamente por um policial branco. Revoltante, não?

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O problema é que havia no local várias testemunhas e todas desmentiram este único depoimento de forma tão consistente que não sobrou espaço para polêmicas no processo e o caso foi encerrado como legítima defesa do policial. Michael Brown cometeu um assalto numa loja, agrediu o dono da loja, depois bateu no policial (Brown era um brutamontes de 1,93m e 132kg) e acabou morto. Em tempos menos estranhos, o caso estaria encerrado.

Mesmo sabendo que o “Don’t shoot!” foi totalmente inventado pelo amigo de Brown; que é uma mentira; que o fato nunca aconteceu; ou que Brown não foi morto de braços levantados e tentando se render mas tentando surrar o policial, as celebridades, os ativistas de sempre, a imprensa e os políticos mais oportunistas continuam empurrando a narrativa como se o fato realmente tivesse ocorrido. Os violentos protestos que se seguiram praticamente transformaram Ferguson numa cidade fantasma.

Agora acabo de ver que “Don’t shoot!” é nada menos a capa da página do Yahoo! Notícias. A capa de um portal de “notícias”! Vejam bem: todas as narrativas de que os policiais americanos são racistas e matam negros indiscriminadamente já foram desmentidas cabalmente e mesmo assim a falácia não apenas continua como o slogan, mas é usado pelo movimento para remeter-se a um episódio que nunca aconteceu. Uma frase que nunca foi dita. O mundo realmente enlouqueceu?

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É por isso que escrevi e vou sempre repetir que a primeira batalha, a mais importante, é pela verdade dos fatos, pela defesa da análise baseada na realidade objetiva e partir de fontes primárias contra as mistificações, exageros, bravatas, factoides e fanfics criados para empurrar agendas ideológicas sem qualquer conexão com a realidade.

A mentira tem várias funções na política. Ela não serve apenas para enfiar agendas goela abaixo da população, seu papel mais importante, insidioso e destruidor é o de minar a confiança do cidadão no próprio bom senso, na sua sanidade mental, no julgamento livre que faz dos fatos, da história e da vida a partir de suas próprias idéias, experiências, informações, capacidade de raciocínio, racionalidade, preceitos e premissas.

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No momento em que você não confia mais na sua capacidade de entender o que está acontecendo, no que é verdade e o que não é, do que é certo ou errado, do que é justo ou injusto, você se torna presa fácil para o poder e para seus serviçais nos canais de comunicação de massa. É por isso que a esquerda aparelhou a imprensa, a cultura pop, a academia, as artes e as escolas, além de sempre que pode se inserir em instituições como a igreja e até em partidos políticos supostamente liberais.

Se você não reagir com todo vigor contra cada mentira que tentarem empurrar para você, nada mais importa, você já perdeu.

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Alexandre Borges

Alexandre Borges

Alexandre Borges é carioca, comentarista político e publicitário. Diretor do Instituto Liberal, articulista do jornal Gazeta do Povo e dos portais Reaçonaria.org e Mídia Sem Máscara. É autor contratado da Editora Record.