Terça, 09 de Fevereiro de 2010
IL

Prêmio Donald Stewart Jr.



Tema: "Globalização e Liberdade"

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O que se entende por globalização? Muitos se referem ao aumento no volume de comércio de bens e serviços entre as nações. Entretanto, longe está o comércio internacional de hoje possuir as características de um comércio de longa distância, livre e inteiramente de responsabilidade dos indivíduos, ordenado por normas gerais aplicáveis a todos os participantes, independentemente de sua residência. Em parte, isso se deve às pressões protecionistas das indústrias locais e à demanda por uma ordem supranacional sob a qual interesses políticos possam se sobrepor ao livre comércio.

 

Reação cultural à globalização? A globalização que vivemos hoje é de fato uma reação econômica aos incentivos produzidos pelas novas tecnologias de transporte e de informação e comunicação (TIC). A redução dos custos de transação tem favorecido o comércio e as transações financeiras, transformando empresas multinacionais em empresas transnacionais. Tribalismo é a reação cultural à globalização, a qual é entendida como uma ameaça às diferenças culturais, religiosas e lingüísticas pela disseminação da cultura de consumo e da língua inglesa pelo uso intensivo da Internet. Curiosamente, tem sido a própria Internet o instrumento facilitador do desenvolvimento de tribos caracterizadas pela etnia (como na Iugoslávia), pela religião (como na Turquia) ou pela língua (como em Quebec, no Canadá).

 

Os blocos comerciais favorecem ou são uma reação à globalização? A reação econômica à globalização parece advir do crescimento frenético dos blocos comerciais formados por países das mais diversas partes do globo. Segundo o Banco Mundial, em 2005, mais de 300 acordos comerciais regionais haviam sido efetivados junto ao GATT. As justificativas vão de argumentos estratégicos a afirmações geopolíticas, mas o fio da meada pode ser encontrado no protecionismo necessário em contraposição aos benefícios desiguais gerados pela globalização comercial. Conforme esse raciocínio, a globalização teria invalidado a teoria da convergência das taxas de crescimento econômico medido pelo PIB, condenando os países em desenvolvimento a um atraso crescente em relação aos países desenvolvidos em temos de bem-estar de seus habitantes.

 

A globalização tem promovido maior bem-estar? Todos ganham com a globalização? Medir desenvolvimento econômico é uma tarefa difícil porquanto o bem-estar individual não se reflete inteiramente nos mercados de bens e serviços. Assim, economistas e cientistas sociais em geral vêm trabalhando na construção de medidas agregadas de bem-estar que possam complementar o PIB que considera bens e serviços de mercado. Informações adicionais, que reflitam as chamadas necessidades básicas, expressas em geral por saúde, educação e condições de habitação, têm sido usadas na construção de novos indicadores agregados de desenvolvimento econômico para uso empírico juntamente com a renda per capita ou com a taxa de crescimento do PIB. Esse esforço acabou por gerar a construção de índices de qualidade de vida e de desenvolvimento humano.

 

Medidas alternativas de bem-estar? Engodo ou uma importante inovação metodológica? Já em 1974, Nozick abria uma nova avenida para estudos de bem-estar ao identificar que o bem-estar é maximizado quando a coerção sobre a liberdade individual no exercício das escolhas é minimizado. Seu trabalho enfatiza a importância da liberdade na medida de desenvolvimento econômico. Seguindo essa linha de raciocínio, Barry Poulson (Economic Development: Private and Public Choice, 1994) identificou que a liberdade individual não pode ser trocada por bens e serviços de mercado e, portanto liberdade tem precedência na determinação do bem-estar. Desse modo, a contribuição dos bens e serviços para o bem-estar deve ser condicionada à definição e à efetiva garantia dos direitos individuais e, portanto, as necessidades básicas têm um papel secundário na medida do desenvolvimento econômico. Assim, uma nova família de índices agregados que levam em conta as liberdades econômica, política e social passou a ser usada em estudos empíricos sobre desenvolvimento econômico.

 

 

Sugestões de leituras:

 

BARBER, Benjamin, Jihad vs. McWorld.  New York:

Times Books, 1995

BARRO, Robert J., Determinants of Economic Growth:  A Cross-Country Empirical Study.  Cambridge, MS: The MIT Press, 1999.

BASTIAT, Frédéric. Economic sophisms. Tradução de Arthur Goddard. Irvington-on-Hudson: The Foundation for Economic Education, 1975. 291 p.

BHAGWATI, Jagdish, Regionalism versus Multilateralism.  World Economy, September, 1992.

BHAGWATTI, Jagdish. Em defesa da globalização.

[Rio de Janeiro]: Campus, 2004. 320 p.

EASTERLY, William. The elusive quest for growth: economists adventures and misadventures in the tropics. Cambridge: Mit Press, 2002. 342 p.

GREENSPAN, Alan. A era da turbulência: aventuras em um novo mundo. [Rio de Janeiro]: Campus, 2007. 616 p.

IRWIN, Douglas. Free trade under fire. Princeton: Princeton University, 2002. 257 p.

LINDSEY, Brink. Against the dead hand: the uncertain struggle for global capitalism. New York: John Wiley & Sons, 2002. 336 p.

WOLF, Martin. Why globalization works. [New Haven?]: Yale University Press, 2005. 416 p.

WRIGHT, Robert, Non Zero: The Logic of Human Destiny.  New York: Pantheon Books, 2000.

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