Comentário do Dia » 20.07.06
Abra o olho, Presidente!
___ Roberto Fendt*
O Senhor Presidente precisa ficar atento e evitar repetir tudo que seus subalternos dizem. Há cascas de banana em muitas das declarações desses subalternos, passíveis de exploração pela oposição.
Vejam a pérola que o Governo decidiu divulgar ontem: as reservas internacionais já são maiores que a dívida externa da União. “Pela primeira vez entramos no preto”, disse alguém. “Saímos do cheque especial”, completou.
Ora, não posso acreditar que quem disse isso imagina, no fundo do coração, que as reservas internacionais estão lá para garantir o pagamento da dívida externa somente da União. Primeiro, porque não ocorre a ninguém que tenhamos, de uma hora para outra, que pagar a totalidade da dívida externa da União. Há um cronograma de vencimentos a observar e, nesse sentido, as reservas seriam absurdamente excessivas. De fato, só precisamos de reservas para cobrir o serviço da dívida mais as parcelas que vencerão a curto e médio prazos.
Segundo, as reservas internacionais são mantidas para fazer face a movimentos bruscos da conta de capitais, quando as saídas de capitais (particularmente de curto prazo) superam as entradas. Quando as reservas são muito pequenas, há uma tendência a acelerar as saídas em momentos de crise. Esse foi o caso de janeiro de 1999. As saídas a que estou me referindo não se restringem a pagamentos do serviço e do principal vincendo da dívida da União. Referem-se às saídas públicas e privadas.
Por essa razão, é prudente manter um certo percentual da dívida externa total sob a forma de reservas internacionais. Esse percentual, é claro, depende da volatilidade das condições de mercado. Por qualquer critério, contudo, as reservas estão no momento em um patamar confortável.
O que não quer dizer que possamos, de uma hora para outra, como sugeriu alguém, exercer nosso direito de credores, já que a União, nessa visão totalmente equivocada, é credora do resto do mundo.
Por isso, Senhor Presidente, abra o olho! Não saia cobrando os supostos direitos creditórios da União contra o resto do mundo. Não precisamos pagar mais esse mico diante da comunidade internacional.
* Vice-Presidente do Instituto Liberal
20.07.2006
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