Comentário do Dia » 03.07.06
O Arco da Crise e nós
___ Roberto Fendt*
Recente encontro no Convento de Arrábida, em Portugal, avaliou a situação no chamado “Arco da Crise”, a região compreendida entre antiga União Soviética, através do Médio Oriente, até à Ásia do Sul. Essa região é o foco da atenção dos norte-americanos e europeus, dada a sua importância para os interesses energéticos desses países.
Que a região é conturbada por conflitos étnicos e religiosos antigos, ça va sans dire. Esses conflitos, no entanto, foram sistematicamente postos “debaixo do tapete” enquanto durou a União Soviética e a política de contenção praticada pelos países da OTAN. Implodido o Império do Mal, os conflitos vieram à tona. Primeiro no Afeganistão e agora em muitos países da região.
O fato novo é a crescente demanda por energia pela China e pela Índia. Esse aumento da demanda vem revertendo o quadro de maior crescimento nas reservas exploráveis – aos preços atuais – relativamente à expansão da demanda. O aumento da competição pelas fontes de energia não só atraiu a China e a Índia, como criou uma nova situação política nos Estados da região.
Do ponto de vista interno, o fato novo é a consolidação das redes terroristas e seu efeito sobre os interesses americanos e europeus na região. As redes terroristas são formadas por unidades independentes, que se articulam e trocam informações e experiências. Por não terem base territorial, exigem novas formas de repressão, ainda não totalmente dominadas pelos principais atores.
Essas redes estão presentes no Afeganistão, no Iraque, na Chechênia, no Egito e no Norte da África, e produziram os atentados terroristas de Nova Iorque e Madri. São fundamentalistas e, portanto, anti-secularistas. Combatem a civilização ocidental, como a conhecemos. Como as multinacionais, não têm base territorial e utilizam as mais modernas tecnologias para sua expansão. Seu maior objetivo é destruir o progresso e a civilização.
É essa mesma gente que tem boas relações com o MST e o PCC. Esperemos que com a queda do ministro Roberto Rodrigues esse grupo não passe a ter uma influência ainda maior no governo.
* Vice-Presidente do Instituto Liberal.
03.07.2006
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