Comentário do Dia » 22.07.10
A Polícia e a Política
___ Arthur Chagas Diniz*
Como foi amplamente noticiado pela imprensa do Rio**, o carro que atropelou e matou o jovem Rafael Mascarenhas passou incólume por patrulha da Polícia Militar. O estado do automóvel do atropelador*** é uma evidência de que estivera envolvido, no mínimo, em um acidente grave: pára-brisa quebrado, sem placa dianteira e pára-choque. Era por demais óbvio que deveria ter se envolvido em algum acidente sério.
O veículo passou, logo depois do acidente, por um sargento e um cabo do 23º BPM. Os dois policiais envolvidos não detiveram o carro porque não viram nada de anormal nele. A desculpa é tão esfarrapada que a única explicação viável (para uma eventual cegueira) é que o motorista pagou ou se comprometeu a pagar propina aos policiais.
A tendência da Polícia é entender a não retenção do veículo como um prolema menor, talvez uma dupla deficiência visual. Alegando que não viram o óbvio, os policiais terão afastamento temporário das funções sem que isso seja visto como corrupção.
Dias atrás, o candidato a Vice de Serra, Índio da Costa, denunciou a parceria entre o PT e o narcotráfico, através das FARCs. Apesar de ter realizado diversas edições do Foro de São Paulo com a presença ostensiva de uma organização narcoterrorista, o PT sempre ignorou a origem dos recursos que mantém as FARCs em atividade. O PT, tal como os dois policiais envolvidos na fuga do atropelador de Rafael Mascarenhas, não viu nada de mais nas FARCs.
A Polícia Militar do Rio e a política do PT autorizam e validam "cegueiras temporárias".
** Ref.: O Globo, p. 15, 22.07.2010.
*** G1, RJ, 22.07.2010
* Presidente do Instituto Liberal
22.07.2010
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