Quinta, 24 de Julho de 2008
IL

Cena Carioca » 27.05.08

A violência privada

___ Arthur Chagas Diniz*

Alguns episódios ocorridos nos últimos três dias dão à Cidade Maravilhosa algumas das características do Velho Oeste, alicerçado em novas tecnologias.

 

Um helicóptero que sobrevoava o Morro do Alemão, na zona norte do Rio, foi atingido por um tiro de fuzil** e, por sorte e habilidade do piloto, fez um pouso de emergência no aeroporto Santos Dumont. O helicóptero não era da Polícia – o que presumiria defesa dos traficantes – mas transportava seis pessoas para o interior do estado de Minas. Provavelmente jamais se conhecerá o responsável pelo disparo. O resultado é que ficamos sabendo que existe também uma zona de exclusão aérea no Rio, não regulamentada pelas autoridades.

 

O helicóptero, especialmente em cidades congestionadas como as grandes capitais brasileiras, é um meio de transporte em expansão. Especialmente para empresários para quem o tempo é fator escasso e, portanto, valioso. O risco adicional introduzido é de extrema gravidade.

 

Nestes três dias ainda há que mencionar o brutal espancamento de um grupo de três rapazes em um estacionamento*** ao lado de uma casa de shows. A brutalidade foi de tal natureza que um dos rapazes recebeu nada menos do que 16 pancadas. A violência foi de seguranças do estacionamento, sem qualquer poder de polícia.

 

A cultura da violência é primitiva e antecede as possibilidades de diálogo. Nas cidades grandes o número de conhecidos é uma percentagem pequena da população. O tratamento de “inimigo” dado ao desconhecido é fator de alienação da sociedade.

 

O terceiro evento é a queda de um edifício em construção no Recreio****, zona oeste do Rio, em área ocupada irregularmente. A queda da construção resultou na destruição total ou parcial de seis casas e ferimentos leves em uma mulher. É estranho que o Município, tão zeloso na cobrança do IPTU, seja leniente com a invasão de áreas e só agora, a cinco andares de construção, decida embargar as obras ilegais.

 

Afinal, onde está o Estado? Na parte de segurança, na criação de santuários de crimes, na desobediência aos próprios códigos criados pela Autoridade?

 

Como diria Francelino Pereira, em tom maior: “Que município é este?”.

 

** O Globo Online, 27.05.08, 00h02min

*** O Dia Online, 26.05.08, 15h25min

**** O Dia Online, 26.05.08, 08h37min


* Presidente do Instituto Liberal

27.05.2008

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