Os Sinhôs Modernos – parte II

( Caro leitor, se não leu a primeira parte deste artigo, basta clicar neste link) Se é a luta que pregam – a desestabilização de um sistema – farão isso, não por motivos essenciais, mas sim por “razões” vagas, oportunas e úteis. Foi assim na História Africana, quando os partidos comunistas da África do Sul, […]

( Caro leitor, se não leu a primeira parte deste artigo, basta clicar neste link)

sinho modernoSe é a luta que pregam – a desestabilização de um sistema – farão isso, não por motivos essenciais, mas sim por “razões” vagas, oportunas e úteis. Foi assim na História Africana, quando os partidos comunistas da África do Sul, por exemplo; o movimento comunista era estritamente branco, mas com os anos os olhos de Moscou viram um potencial nas divisões raciais sul-africanas, como da água para o vinho, os bons comunistas deixaram seus pensamentos racistas para fomentar a luta de classes. Observaram o esquema? Não foi por um motivo essencial, objetivo e concreto que os comunistas passaram a denunciar e a lutar contra o racismo: foi a conveniência que imperou. Os comunistas que mais acolhiam negros e apontavam os dedos para a opressão dos brancos, no fundo, e da maneira mais pérfida e vil, eram os maiores racistas do jogo.

Eis a origem dos movimentos progressistas à esquerda. Mas não há escapatória quando se trata de uma profunda reflexão e análise. O racismo, por mais fundo que possa estar, vai se exaltar em momentos de sufoco, e os esquerdistas, os que dizem amar a senzala e odiar a Casa Grande, não perdem tempo de montar critérios raciais para determinar quem é o bom, ou o mau, entre os negros, o feio e o belo, o negro de fato e o mestiço.

Lembram-se da estranha paleta de cores que os esquerdistas fizeram quando um estádio inteiro, no ano passado, mandou, pela primeira vez, a presidente tomar naquele lugar? Por causa de alguns vídeos postados na internet, os espertos concluíram que não havia negros na multidão, e por isso, claro, só podia ser um ato fascista, racista, classicista contra a presidente que afundou a economia do país. Mesmo com Marcelo Taz, e outros membros que relataram haver, sim, negros xingando a digníssima presidente, os sapientíssimos progressistas, munidos de suas fontes inabaláveis que mostravam diminutas frações dos revoltados no estádio, preferiram atribuir a cor da pele branca, a condição financeira e aposição social às opiniões dos revoltosos – nem foi porque a presidente não consegue compor uma única frase com nexo, não, nem mesmo o fato da miséria no país estar crescendo. Isso é tudo invenção da Globo!

Notaram o racismo disfarçado de “democratização”? Sim, pois para os ungidos, os messias da modernidade, consideraram o quesito racial dos detratores. Nenhum aprofundamento ou particularidade foi averiguado. Todos foram maciçamente igualados, julgados e declarados como brancos, brancos anti-PT, brancos, portanto, opressores, senhores das Casas Grandes. Mas o drama dos loucos não para por aí.

Os próprios negros são as maiores vítimas – sim, esta palavra é bem válida aqui – desse racismo profundo, velado. Quando os negros das manifestações levantaram suas vozes, ergueram placas para reclamarem do abuso e da falta de caráter, mas também de racionalidade, da esquerda, os esquerdistas logo sacaram sua estranha paleta de cores mutável – mutável, e extremamente: quando querem contabilizar o número de negros mortos por policiais, ou aqueles que passam fome, são pobres, etc, usam a paleta de modo inverso ao que demonstrarei aqui. Agem, assim, como os comunistas sul-africanos do século passado, de modo conveniente –. A paleta mostra quem é e quem não é verdadeiramente negro, e não se enganem: não é a cor que determina isso, mas sim a filiação ideológica. Se for do contra, de repente, o negro começa a embranquecer, e que se danem os preceitos morais, ele subitamente começa a ficar meio “branquinho”, um mestiço para o lado branco, não um negro de verdade; caso haja negros de fato, não se enganem, a esquerda tenta, de forma débil, resolver o bug mental que tem: são negros que traíram a senzala, são capitães do mato, servos incontestáveis de seus patrões brancos. Isso mesmo: usam um insulto envolvendo a cor da pelecapitão do mato! – para denegrir uma pessoa de pele negra! E fazem isso na cara dura, sem medo de serem questionados!

Não são defensores das minorias, da verdade, da igualdade. São apenas oportunistas seduzidos por chavões retóricos sem nenhuma profundidade. Não hesitam em insultar alguém por sua cor de pele, qualquer que seja, quando esta – ou um coletivo – ousa indagar e questionar sobre a santa causa que aderem. Não fazem questão se seguir a razão, parâmetros bem arranjados e lógicos. Querem apenas botar fogo no circo.

Os negros não têm independência, não fora da sacrossanta causa esquerdista. Os ditos “grupos oprimidos” têm que estar bem apertados nas rédeas dos ideólogos e militantes de esquerda, pois assim terão a etiquetagem de “vítima”, direito de protestar, se expressar sem ser um traíra, um capitão do mato.

Da mesma forma que funcionários dos donos de fazendas na época da colônia, ou do Império, os Sinhôs moderninhos escolhem seus negros. Se estiverem em manifestações direitistas, são perigosos, avulsos, revoltados demais para eles, e da mesma forma que, no século XIX, se averiguavam os dentes do escravo para ver sua saúde, os sinhôs da modernidade averiguam a pele em negros que apoiam o Bolsonaro, por exemplo, ou ainda os tratam como traidores, caçoando da sua cor da pele, pois já seriam muito branquinhos, e quando não podem fazer isso, os considerando capitães do mato.

Os Sinhôs Modernos pensam que ajudam a senzala, mas no fim sempre moraram na Casa Grande. Para um revolucionário uma pessoa, um grupo, só presta quando presta para a revolução, caso contrário… como diria Marx “As classes e raças, demasiado fracas para dominar as condições de vida, devem sucumbir”( Karl Marx, New York Daily Tribune, 22 de maio de 1853)[1].

Assim o negro perde sua dignidade, seu direito de não ter a cor da pele como critério para julgamentos. Os que se consideram seus “sinhôs” vão logo julga-lo, segundo sua cor de pele, como capitão do mato.

[1] E não se enganem: é a essência de todo movimento revolucionário. Fomentar a luta de classes, a desordem, em nome de uma ordem imaginária, futura, é a mais velha tática revolucionária, para depois serem descartados os membros das antigas revoltas. O caso de negros direitistas serem chamados de “capitãs do mato”, por conta de sua cor é apenas uma pitada do que um movimento revolucionário pode fazer com aqueles que ousam lhe causar problemas. Não podemos esquecer que a esquerda brasileira vê, como gozo, a situação do povo miserável de Cuba – Fidel é um rei, e quem o contraria não merece respeito, perdeu sua humanidade. Se fazem isso, às claras, com um povo inteiro, acreditam mesmo que há um freio moral neles para não fazerem o mesmo com toda uma etnia?